terça-feira, 6 de agosto de 2013

URGENTE: Vamos mudar o cenário dos planos de Saúde

Hoje, no Vila Mamífera

URGENTE: Vamos mudar o cenário dos planos de Saúde.

06 agosto, 2013

É fácil participar para mudar o sistema. Basta que você separa poucos minutos do seu dia, entre no site da ANS, siga esse tutorial, e divulgue para muita gente!
A cada 2 anos, a ANS (a agência reguladora dos planos de saúde) abre uma consulta pública para que a sociedade dê sugestões sobre o que os planos de saúde devem cobrir. Foi assim que conseguimos em 2011 inserir explicitamente a cobertura das despesas do acompanhante, a paramentação (a roupa para o acompanhante entrar e acompanhar o parto até mesmo dentro do centro cirúrgico), a alimentação e a acomodação do acompanhante.
Este ano de 2013 tem Consulta Pública… que termina hoje, terça-feira (dia 6 de agosto).
Podemos juntar nossas demandas e fazermos uma participação em massa… e torcer para que mulheres possam ter garantias de uma boa assistência a gestação, parto, nascimento e à amamentação também através dos planos de saúde. Vamos fazer chover demandas das mulheres em busca de uma assistência adequada para o parto!!
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Consulta Pública nº 53 da ANS
Atualização do Rol de Procedimentos de Cobertura Obrigatória dos Planos de Saúde
Clique em:
http://www.ans.gov.br/index.php/participacao-da-sociedade/consultas-publicas/2088-consulta-publica-53-consulta-publica-para-atualizacao-da-resolucao-normativa-que-define-o-rol-de-procedimentos-e-eventos-em-saude#

Tipo de Usuário: CONSUMIDOR
* deixe o ENTIDADE/RAZÃO SOCIAL em branco
Preencha seu nome
e seu CPF
Escolha as contribuições e siga as instruções:
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Tema: AUTONOMIA PARA EOs E OBSTETRIZES NA ASSISTÊNCIA AO PARTO
clique em:
ALTERAÇÃO DE ARTIGO DA RN/NOTA TÉCNICA PAC/ANEXO III – DIRETRIZ CLÍNICA/ANEXO IV – PROUT
digite o código que aparece ao lado
em “Selecione o Artigo / Nota Técnica PAC…”, clique em: Art. 4º
e em “Insira sua alteração do Artigo selecionado”, copie e cole:
Art. 4º Os procedimentos e eventos listados nesta Resolução Normativa e nos seus Anexos poderão ser executados por qualquer profissional de saúde habilitado para a sua realização, conforme legislação específica sobre as profissões de saúde e regulamentação de seus respectivos conselhos profissionais, respeitados os critérios de credenciamento, referenciamento, reembolso ou qualquer outro tipo de relação entre a operadora de planos privados de assistência à saúde e prestadores de serviço de saúde.
Parágrafo único. Os procedimentos listados nesta Resolução Normativa e nos seus Anexos serão de cobertura obrigatória quando solicitados pelo médico assistente, conforme disposto no artigo 12 da Lei nº 9.656 de 1998, com exceção: a) dos procedimentos odontológicos e dos procedimentos vinculados aos de natureza odontológica – aqueles executados por cirurgião-dentista ou os recursos, exames e técnicas auxiliares necessários ao diagnóstico, tratamento e prognóstico odontológicos – que poderão ser solicitados ou executados diretamente pelo cirurgião dentista; b) dos procedimentos obstétricos e de vinculados aos atos de natureza obstétrica – que poderão ser executados ou solicitados diretamente por obstetrizes ou enfermeiras obstetras nos termos da respectiva regulamentação profissional.
em “Justificativa”, copie e cole o texto abaixo, ou escreva o que desejar:
De acordo com a Resolução COFEN – 223/1999, que regulamenta a atuação de enfermeiros na assistência à mulher no ciclo gravídico-puerperal, garantindo competência ao enfermeiro obstetra e à obstetriz para assistência à parturiente e ao parto normal, bem como acompanhamento da gestação, do trabalho de parto e do puerpério, incluindo emissão de laudo para autorização de internação hospitalar.
clique em ENVIAR
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Tema: ACOMPANHANTE e OBSTETRIZ
clique em:
ALTERAÇÃO DE ARTIGO DA RN/NOTA TÉCNICA PAC/ANEXO III – DIRETRIZ CLÍNICA/ANEXO IV – PROUT
digite o código que aparece ao lado
em “Selecione o Artigo / Nota Técnica PAC…”, clique em: Art. 22º
e em “Insira sua alteração”, copie e cole:
“Art. 22. O Plano Hospitalar com Obstetrícia compreende toda a cobertura definida no artigo 18 desta Resolução, acrescida dos procedimentos relativos ao pré-natal, da assistência ao parto e puerpério, observadas as seguintes exigências: I – cobertura das despesas, incluindo paramentação, acomodação e alimentação, relativas ao acompanhante indicado pela mulher durante: a) pré-parto; b) parto; e c) pós-parto imediato por até 10 dias, de acordo com a Portaria 2.418 de 2005, ou outra que venha substituí-la; II – cobertura assistencial ao recém-nascido, filho natural ou adotivo do beneficiário, ou de seu dependente, durante os primeiros 30 (trinta) dias após o parto; e III – opção de inscrição assegurada ao recém-nascido, filho natural ou adotivo do beneficiário, como dependente, isento do cumprimento dos períodos de carência, desde que a inscrição ocorra no prazo máximo de 30 (trinta) dias do nascimento ou adoção. Parágrafo único. Para fins de cobertura do parto normal listado nos Anexos, este procedimento, incluindo as consultas, poderá ser realizado por enfermeiro obstétrico habilitado ou obstetriz habilitada, conforme legislação vigente, de acordo com o artigo 4º desta Resolução. ”
em “Justificativa”, copie e cole o texto abaixo, ou escreva o que desejar
De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde nº 2.418 de 2005 que regulamenta a Lei do Acompanhante (Lei Federal nº 11.108 de 2005) o “pós-parto imediato” é definido como os primeiros 10 dias após o parto. Mulheres asseguradas por plano de saúde devem ter seu direito assegurado de acordo com a legislação vigente.
clique em ENVIAR
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Tema: PLANTÃO PRESENCIAL DE ANESTESISTA PARA PARTO
clique em: INCLUSÃO DE PROCEDIMENTO
clique em: Lista de Procedimentos
na janela que se abrir, selecione: ROL DE PROCEDIMENTOS
clique em: CONTINUAR
digite o código que aparece ao lado
e em ”Nome do procedimento a ser incluído:”, copie e cole:
cobertura de plantão presencial de anestesista para parto vaginal
em “Justificativa:”, copie e cole, ou escreva o que desejar:
Os hospitais e maternidades de atenção obstétrica rotineiramente mantêm plantão de sobreaviso de anestesistas, o que atrasa uma intervenção cirúrgica em alguma emergência durante o parto ou impede o acesso a analgesia durante o trabalho de parto. Os serviços de atenção obstétrica devem manter plantão com os anestesistas dentro das instituições.
clique em ENVIAR
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Tema: PLANTÃO OBSTÉTRICO
clique em: INCLUSÃO DE PROCEDIMENTO
clique em: Lista de Procedimentos
na janela que se abrir, selecione: ROL DE PROCEDIMENTOS
clique em: CONTINUAR
digite o código que aparece ao lado
e em ”Nome do procedimento a ser incluído:”, copie e cole:
Plantão Obstétrico Multiprofissional
em “Justificativa”, copie e cole:
Para que haja cobertura do procedimento “parto” no setor suplementar, que é uma urgência sem previsão de início ou duração exatos, faz-se necessário que as mulheres possam ter acesso a plantões obstétricos de referência. Esses plantões devem ter equipe multidisciplinar alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde para a assistência adequada e qualificada ao parto e nascimento.
clique em ENVIAR
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Tema: CURSO DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO E AMAMENTAÇÃO
clique em: INCLUSÃO DE PROCEDIMENTO
clique em: Lista de Procedimentos
selecione: ROL DE PROCEDIMENTOS
clique em: CONTINUAR
digite o código ao lado
em ”Nome do procedimento a ser incluído:”, copie e cole:
Cobertura de atendimento educativo de preparação para o parto e amamentação
em “Justificativa”
O Ministério da Saúde estimula a realização de atividades educativas como forma reconhecidamente eficiente para incentivar o parto vaginal espontâneo e aleitamento materno. Além disso, ações como estas são eficazes para proporcionar respostas às indagações da mulher ou da família e as informações necessárias, a fim de atender ao princípio constitucional da equidade.
clique em ENVIAR
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Tema: INTERVENÇÕES NA ASSISTÊNCIA AO PARTO
clique em: TIPO DE CONTRIBUIÇÃO
selecione: INCLUSÃO DE DIRETRIZ DE UTILIZAÇÃO
clique em: LISTA DE PROCEDIMENTOS
na janela que se abrir, clique em ROL DE PROCEDIMENTOS
depois clique em PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS E INVASIVOS
depois clique em: SISTEMA GENITAL E REPRODUTOR FEMININO
depois clique em: PARTOS E OUTROS PROCEDIMENTOS OBSTÉTRICOS
depois clique em: ASSISTÊNCIA AO TRABALHO DE PARTO
clique em CONTINUAR
Digite o código que aparece ao lado
em “INSIRA A DIRETRIZ DE UTILIZAÇÃO PARA O PROCEDIMENTO SELECIONADO”
copie e cole, ou escreva o que desejar
1. Cobertura obrigatória.
2. É vedada a realização de qualquer intervenção, salvo em caso de risco de vida da mulher e do concepto, sem antes haver a apresentação de documento escrito e firmado, com a expressa manifestação da concordância da parturiente e após receber informações a respeito de todos os procedimentos a serem adotados e seus respectivos riscos, possíveis efeitos colaterais e problemas para recuperação.
em JUSTIFICATIVA
O atendimento humanizado é diretriz do Ministério da Saúde e é uma política considerada fundamental para promoção de saúde. Além disso, todo cidadão tem o direito de ser informado sobre os procedimentos que serão adotados nos cuidados com sua saúde, bem como o direito ao consentimento livre e esclarecido ou a recusa, sem que qualquer destes posicionamentos lhe represente quaisquer tipo de ônus.
clique em ENVIAR
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Tema: DOULA
clique em: INCLUSÃO DE PROCEDIMENTO
clique em: Lista de Procedimentos
selecione: ROL DE PROCEDIMENTOS
clique em: CONTINUAR
digite o código ao lado
em Nome do Procedimento a ser incluído
cobertura de acompanhamento de doula no pré-parto, parto e pós-parto
em JUSTIFICATIVA, copie e cole:
A revisão sistemática da Cochrane comprovou que a presença de uma doula no trabalho de parto e parto está associada a maior chance de um parto vaginal, menor necessidade de analgesia de parto, menor duração do trabalho de parto, menor risco de cesárea, menor risco de parto instrumental, menor necessidade de analgesia e menor risco de nascimento de bebês com baixos escores de Apgar no 5o. minuto.
clique em ENVIAR
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Tema: PARTO DOMICILIAR
clique em: TIPO DE CONTRIBUIÇÂO
selecione: INCLUSÃO DE PROCEDIMENTO
clique em: Lista de Procedimentos
selecione: ROL DE PROCEDIMENTOS
clique em: CONTINUAR
digite o código ao lado
e em Nome do Procedimento a ser incluído copie e cole:
Assistência ao parto domiciliar por enfermeira obstetra, obstetriz ou médico e assistência domiciliar e/ou hospitalar ao recém-nascido
e em: Justificativa:, copie e cole ou escreva o que desejar:
As mulheres têm o direito de escolher o seu local de parto.
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Tema: ATENDIMENTO DOMICILIAR EM CONSULTORIA DE AMAMENTAÇÃO
clique em: TIPO DE CONTRIBUIÇÃO
selecione: INCLUSÃO DE PROCEDIMENTO
clique em: Lista de Procedimentos
na janela que abrir, clique em:
ROL DE PROCEDIMENTOS
e clique em: CONTINUAR
digite o código ao lado
e em “Nome do Procedimento a ser incluido”, copie e cole:
ATENDIMENTO DOMICILIAR EM CONSULTORIA DE AMAMENTAÇÃO
em “Justificativa:” copie e cole, ou escrea o que desejar
Considerando que o Leite Materno é o melhor alimento para um bebê e que a amamentação não é instintiva, mas uma habilidade que deve ser aprendida, mulheres em período lactacional precoce ou tardio, que possuem desejam amamentar seus filhos devem ter acesso à assistência adequada e qualificada para a amamentação.
clique em ENVIAR

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Parir em casa também é SEGURO!



 Parto domiciliar na Austrália
 Parto domiciliar na Austrália
 Por Kalu Brum do Vila Mamífera
Jornalista, Doula, Fotógrafa e Professora de Yoga

Em 2006, quando estava grávida, fui procurar informações sobre parto domiciliar. Em São Paulo, onde eu morava na época, era uma experiência rara, mas conhecia algumas pessoas que tinham tido seus adoráveis partos domiciliares.
Em 2007, quando Miguel nasceu em casa, naquele ano aqui em Belo Horizonte, o meu parto foi o único atendido pela equipe de partos domiciliares de Belo Horizonte. Hoje, 6 anos depois, essa equipe composta por quatro enfermeiras obstetras, atende uma média de 30 partos por ano na capital mineira e região.
Ainda hoje, quando conto que tive meu filho em casa, escuto: nossa, não deu tempo? É um retorno às origens?
Eu discordo que partos domiciliares seja um retorno bucólico ao passado. As mulheres que parem em casa não estão abrindo mão da tecnologia. Muito pelo contrário. Elas vão recorrer à tecnologia, se necessário. Além disso, parto domiciliar é seguro, como afirmaram alguns estudos e experiências mundiais.

Pelo mundo afora, nascer em casa é uma experiência bem-sucedida e apresenta risco igual ou menor se comparado a partos hospitalares.
Dr. Lucas Barbosa da Silva, obstetra em Belo Horizonte, um dos médicos contratados pelo Ministério da Saúde para ajudar a melhorar a realidade obstétrica brasileira em que 52% dos partos se dão por via cirúrgica, conta que na  Inglaterra, após longos anos de pesquisas, concluiu-se que o aumento da taxa de 4% para 10% de partos domiciliares melhorariam os índices obstétricos do Reino Unido.
“A Inglaterra quer ter índices próximos da Escócia, que oferece uma melhor assistência obstétrica impulsionada principalmente pelo partos domiciliares. Nesta pesquisa, concluiu-se que os partos domiciliares são tão seguros quanto partos hospitalares em gestantes de baixo risco. Porém, são mais baratos para o governo e com índice de satisfação superior”, afirma o médico.

A história do parto domiciliar no Brasil e no mundo é muito recente. Até o século 18, o parto era um assunto
feminino e, muito embora a medicina começasse a se desenvolver, facilitar o parto ainda era cargo das parteiras.

Os primeiros médicos obstetras começaram  a ser formados nas faculdades européias na metade do século 19. Mas foi no início do século passado que a presença do médico na cena do parto se consolidou. Não podemos negar os grandes avanços na medicina obstétrica durante o século 20 que levaram, de fato, à notável queda da mortalidade materna e perinatal. Os principais fatores que levaram a essa melhoria foram a antissepsia e a descoberta de antibióticos. Sem deixar de salientar que o uso dos anestésicos e as técnicas modernas de sua utilização fizeram da cesariana um procedimento menos arriscado, salvando vidas outrora perdidas (afinal cesáreas bem indicadas podem sim salvar vidas).
Mas a  medicalização excessiva do parto nos anos 60 e 70 levou movimentos de contracultura a exercerem  pressão para o estudo da real necessidade, segurança e efetividade de muitos dos procedimentos estabelecidos como rotina na prática obstétrica diária. Foi assim que nasceu a semente da assistência à “saúde baseada em evidências”.
Em países como a Holanda, o Canadá e a Austrália, o parto domiciliar é um evento não somente reconhecido, como também estimulado pelos seus respectivos sistemas públicos de saúde.
Na Holanda, 20% dos nascimentos acontecem em casa e em total segurança. É o que mostra a pesquisa publicada na revista científica “British Medical Journal”. Realizado por pesquisadores holandeses, o estudo indica que os riscos de complicações severas em partos é de 1 em mil para partos em casa e 2,3 em mil para partos nos hospitais. A pesquisa analisou cerca de 150 mil mulheres na Holanda com gravidez de baixo risco e que deram à luz entre 2004 e 2006. Entre elas, 92.333 tiveram bebês em casa e 54.419 foram atendidas no hospital.
Dr. Lucas Barbosa reforça que para se obter esses índices favoráveis é preciso de um excelente pré-natal. “Essas pesquisas mundiais deveriam orientar investimentos para oferecer mais oportunidades para que as mulheres tenham partos em casa. Estamos ainda longe de oferecer partos domiciliares pelo sistema público de saúde. Mas as mulheres estão transformando pouco a pouco a realidade obstétrica brasileira”.
No Brasil, 97% dos partos são feitos em hospitais, segundo o Ministério da Saúde. Mas cada mulher que pare, assim como eu, em casa, faz um blog, vira doula e a pedra lançada no lago reverbera e aos poucos a realidade se transforma.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Medos e Mitos no Parto Normal

quinta-feira, 18 de julho de 2013

2 º Relato de Violência Obstétrica

"  3 de Junho de 2013 às 14:56
Daqui nove dias a minha perfeição pequenina completa dez meses. Meu maior orgulho, meu amor, minha alegria! Mas não consigo falar dela sem lembrar do nosso primeiro dia juntas aqui, fora de mim. Levei quase dez meses pra conseguir escrever sobre como eu me senti naquele dia e como eu sofri por isso nas semanas e meses seguintes.
Uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência obstétrica antes, durante ou após o parto. Infelizmente isso já é até esperado, considerado normal por muitas delas, algumas já vão pra maternidade sabendo que "não podem chorar, gritar ou reclamar", senão serão maltratadas. Muitas sofrem, poucas falam. Tem vergonha de se sentir mal pelo dia do parto, que deveria ser um dia de alegria, orgulho. Tem medo de falar algo contra os médicos e hospitais. Decidem seguir em frente, deixando passar o abuso.
Quem me conhece e perguntou como tudo aconteceu, ouviu um breve relato de como tudo "deu certo," eu tentei parecer satisfeita e foi suficiente pra ninguém questionar mais. Ninguém sabe como eu me senti porque eu escolhi guardar tudo só pra mim. Mas agora resolvi compartilhar. Não tenho porque ter vergonha de tudo que passou, eu não estava errada. E desabafar faz um bem enorme, era disso que eu precisava pra me sentir melhor :)

Tenho 22 anos, moro em Manaus, sou casada e tenho uma filha, Paula, de 9 meses. Nossa gestação foi tranquila, sem transtornos, eu e meu marido curtimos muito cada fase dela. Eu tenho um plano de saúde, fiz minhas últimas consultas do pré natal pelo convênio, mas como ainda estava na carência, já estava certo que o meu parto seria feito num hospital público.
Durante a gestação eu passei a maior parte do tempo lendo sobre o desenvolvimento do bebê na barriga, enxoval, primeiros cuidados com o bebê, conversava bastante com outras mães, mas não me informei sobre o parto... Minha mãe teve dois partos naturais hospitalares e desde sempre eu soube que também queria um parto natural, por saber que era o melhor pra mãe e pro bebê. Não me preparei pra isso porque pensava que por ser algo natural, bastava ir ao hospital na hora certa e o meu corpo e a natureza fariam o resto. Eu não tinha medo da dor, mas tinha muito medo de ser maltratada na maternidade, já tinha ouvido muitos relatos tristes e tinha medo de sofrer nas mãos de uma equipe ruim, mas nem passava pela minha cabeça procurar uma equipe humanizada. A única certeza que eu tinha é que eu queria o meu marido ao meu lado o tempo inteiro. A ideia de ter uma cirurgia estava completamente fora de cogitação, a médica que acompanhava o meu pré natal me incentivava a ter um parto natural e me garantia que não havia nenhuma indicação de cesárea, eu e a Paulinha estávamos saudáveis.

Até que um dia (37 semanas e seis dias) eu comecei a sentir uma dor de cabeça muito forte, diferente, que me impedia até de raciocinar direito. Eu estava num almoço na casa do meu pai quando comecei a sentir minha visão estranha, como se estivesse com um cisco no olho esquerdo. Fui ao banheiro, olhei no espelho e vi que não tinha nada, mas aquela sensação continuava, minha visão estava diferente. Lembrei de um dos artigos que havia lido que falava que isso podia ser sinal de pré eclâmpsia, falei pro meu marido que precisava ir ao médico e resolvemos ir ao hospital do convênio. Quis ir até lá por ser mais próximo, ficava a poucas quadras da casa do meu pai. Fui lá pensando em passar na emergência, aferir a pressão, talvez tomar um remédio e voltar pra casa, mas não foi bem assim...

Passei com um clínico, minha pressão estava 14/9 e fui encaminhada pro centro de obstetrícia. A plantonista nem olhou pra mim e já foi falando pro meu marido
"O senhor tem que sair agora, não era nem pra ter vindo até aqui. O hospital não permite homens nessa sala pra preservar a privacidade das mulheres." DETESTEI a médica desde o primeiro momento, eu detesto ficar sozinha, principalmente em hospitais. Eu era a única gestante naquela sala, mas não protestei, ele se despediu de mim e saiu.

Antes de ser colocada em observação a médica pegou a minha ficha e começou a reclamar do meu plano de saúde, pegou o telefone e ligou pra alguém de outro setor
"Dá uma olhada nesses dados e vê se esse é um daqueles planos cheios de carência. Se for, já sei que vou ter dor de cabeça com essa daqui."
Algum tempo depois veio a enfermeira chefe e disse que tinha ordens de fazer a minha transferência
"Ela não pode ficar, o plano tá na carência e ninguém pode fazer nada por ela, o marido tá atrás de dinheiro agora e acho que não vai conseguir tão cedo. Vamos preparar pra transferir."
A médica disse que não autorizava a transferência
"Se ela sair daqui vai acabar entrando em convulsão na ambulância e eu não quero ninguém me cobrando por isso. Não autorizo, deixa ela aí, daqui a pouco eu entrego e plantão e o próximo que pegar decide o que vai ser feito com ela."
A enfermeira ainda tentou convencê-la, não lembro de tudo que foi dito, mas lembro bem de quando a médica falou
"Isso não é problema meu, a culpa é do pessoal da recepção que deixou ela entrar nesse estado."
Comecei a sentir medo. Achei desnecessário discutirem aquilo na minha frente, aquela conversa só me deixou nervosa, angustiada e continuou por algum tempo, funcionários iam e vinham, ela fazia ligações e discutia por causa do plano, dizendo que não podia fazer nem uma ultrassom porque não sabia se o plano permitia e que já estava quase na hora dela ir embora.

A médica fazia comentários desagradáveis pra mim, falando do tamanho da minha barriga que era muito pequena, "isso não é barriga de 37 semanas, seu filho tá desnutrido, mas adolescente é assim mesmo, fica sem comer e nem pensa que pode matar o filho de fome", disse que se ela fizesse o parto aquilo ia virar moda "é o que todo mundo quer, chegar aqui passando mal e ganhar um parto de graça, mas eu não vou perder meu salário por isso." Me senti muito mal com aqueles comentários, mas não respondi nada... Ela desconfiava de pré eclâmpsia, mas achou estranho que eu não estava inchada, pediu um exame de sangue e continuou esperando alguém entrar em contato com o diretor pra dar uma ordem sobre o que seria feito comigo.

Uma enfermeira vinha aferir minha pressão e monitorar os batimentos da Paulinha de tempos em tempos. Mesmo sendo medicada a minha pressão continuava a subir e aquele mal estar só aumentava. Acho que nunca senti tanto medo quanto naquele dia, pensei que não ia mais sair de lá e que ia perder a minha pequena, ela tava muito agitada e eu ficava cada vez mais nervosa.

A enfermeira aferiu a pressão outra vez e chamou a médica que já estava com o resultado do exame.
"Vou ter que tirar a criança porque senão as duas vão morrer, ela já tá em sofrimento, não dá mais pra estabilizar a pressão e vamos ter que interromper a gestação por aqui."
Interromper a gestação? Tirar a criança?? Meu Deus, como eu detesto essa expressão, pra mim é algo muito frio, indiferente, horrível!! Não era aquilo que eu imaginava pra chegada da Paulinha, eu não conseguia nem repetir em pensamento aquilo que ouvi. A partir daquele momento, senti como se eu já não estivesse mais lá. Senti um medo, um desespero tão grande, uma angústia, eu nunca me senti tão só quanto naquele dia. É como se eu tivesse entrado no automático, não questionava, não recusava, apenas fazia o que me falavam. Por dentro eu tinha vontade de chorar, gritar, pensei até em fugir de lá, queria pedir uma explicação, um parto natural, pedir pra falar com o meu marido, mas não me senti à vontade pra falar com ninguém da equipe.

Fui trocar de roupa, colocaram a sonda, a enfermeira aplicou um remédio, eu fui pro centro cirúrgico. Eu senti frio, medo, vergonha, me senti exposta e abandonada. Não fazia ideia de onde estava o meu marido, não sabia o que ia acontecer comigo e com a Paulinha, não sabia se veria a minha pequena, se saíria de lá com ela... Tudo foi tão rápido, exatamente como eu temia, eu sozinha num hospital, longe do meu marido, com uma médica ríspida que não me passava segurança e só aumentava o meu medo. Tudo sem emoção nenhuma. Aplicaram a anestesia, a enfermeira me ajudou a deitar e tudo começou. É estranho descrever o que eu senti. Acho que porque eu simplesmente não senti nada, nem física nem emocionalmente. Foi como se eu estivesse em outro lugar, bem longe dali. Levantaram aquele pano, amarraram os meus braços e tudo começou.Fiquei com medo que machucassem a Paulinha, nós estávamos sozinhas e eu nem podia ver o que ia acontecer. Os comentários da médica continuaram "na próxima reunião com a direção eu vou reclamar, não tá certo, admitir alguém nesse estado e sobrar pra equipe médica? Culpa do pessoal da recepção, quero ver quem vai pagar essa conta, não sou paga pra fazer caridade pra grávida. Aposto que esse aqui vai ser PIG e vai pra incubadora".. Senti quando fizeram o corte, quando mexiam dentro de mim, é algo tão estranho, dá uma agonia... Ouvi e senti quando jorrou o líquido, continuaram mexendo e eu podia sentir que faziam uma pressão enorme, a mesa balançava, até que tiraram a Paulinha e eu pude vê-la de longe, tão pequena, ela nem chorou, só resmungou. Ouvi quando a médica disse
"PIG, eu nunca erro."
Ela nasceu com 37 semanas e seis dias, com 2.386g e 45cm.
Pedi pra vê-la de perto, a pediatra trouxe "pra dar um cheiro na mãe", eu quis tocá-la, mas os meus braços estavam amarrados e ela foi levada. Tive medo que fizessem algo ruim com ela. Enquanto me costuravam eu falei pra médica que não enxergava mais nada do lado esquerdo, ela disse que isso era comum e depois de alguns dias voltaria ao normal, quando a minha pressão ficasse estável.

Fui deixada na sala de recuperação por um bom tempo, queria ver a minha pequena, acho que delirei naquela hora, tremia de frio, não parava de perguntar por ela, pelo meu marido, queria saber onde e com quem ela estava. Depois de um tempo fui levada pro quarto. A Paulinha demorou a subir, o protocolo é manter o bebê no berçário por algumas horas, mesmo se ele estiver saudável precisa ficar longe da mãe em observação. Perguntei por ela e pelo meu marido várias vezes e só me diziam "fica quietinha e não fala nada por causa da cirurgia, sua filha tá segura no berçário." Ela foi trazida, segurei ela no colo, tentei colocá-la pra mamar, mas não consegui. Queriam levá-la de novo, mas pedi pra ela ficar lá comigo, deitada em mim. Meu marido veio nos ver, foi bem rápido, logo pediram pra ele sair (mais uma vez, pela privacidade das outras mulheres, mas dessa vez havia outras mulheres no mesmo quarto). Ele foi embora e pouco tempo depois minha mãe veio ficar conosco.

No dia seguinte, as duas mulheres receberam alta, o pediatra e a obstetra foram conversar com as duas, deram orientação sobre os testes que precisavam ser feitos no bebê, amamentação, cuidados durante a recuperação da cirurgia, entre outras coisas. Pedi pra falar com a obstetra, queria perguntar se a minha visão voltaria ao normal, ela disse que precisava ver outras pacientes e voltaria à tarde.

O dia passou, ela não voltou. Eu ainda não tinha leite, não pude amamentar e deram complemento pra Paulinha. Fiquei frustrada, comecei a pensar que sem amamentar nunca teríamos um vínculo, que já tinha começado tudo errado... Nós receberíamos alta na terça à noite, depois de falar com a médica, mas pela manhã uma enfermeira disse que já podíamos ir embora, porque o quarto precisava ser desocupado. Durante o período que ficamos lá, nenhum médico foi nós ver, nem pediatra, nem obstetra. Não via a hora de sair de lá, mas fiquei chateada por não poder tirar as minhas dúvidas com ninguém e por ter certeza que não fui bem tratada por causa de toda aquela situação, por ter sido um atendimento de urgência, por causa da carência do plano...

Cheguei em casa e vi que o meu cartão de gestante estava em branco e o cartão da Paulinha tinha informações incorretas (amamentação na primeira hora de vida, entre outras coisas).

Durante as semanas pós parto fiquei na expectativa de acordar e ter a visão do lado esquerdo de volta, mas isso não aconteceu. Já fui em três oftalmologistas e soube que por causa do aumento da pressão eu sofri uma atrofia nos nervos ópticos. Não tem reversão.

Eu levei um tempo até me sentir próxima da minha filha novamente. Tive depressão pós parto, sofri muito nos primeiros meses, sentia uma angústia enorme ao lembrar de tudo e só conseguia chorar, me culpar, ficava tentando me convencer de que tinha sido uma boa experiência, às vezes me forçava a parecer feliz e satisfeita na frente dos outros... Eu não me sentia boa o suficiente pra ser mãe, confesso que cheguei a pensar em desistir de mim mesma, vivia esgotada física e mentalmente. Por isso eu acabei me distanciando do meu marido, não tinha motivação pra fazer nada em casa nem de me cuidar, passava o dia sem me alimentar direito, emagreci muito, tinha medo de ficar em casa sozinha com ela e de sair sozinha, me isolava, fiquei paranoica em relação à Paulinha e procurava fazer tudo da melhor maneira possível, tentando provar pra mim mesma que podia ser uma boa mãe e me culpando quando algo saía errado (gases, cólica). Eu não aceitei ajuda de ninguém no período pós parto, não queria que ninguém além do meu marido chegasse perto dela e ficava nervosa quando alguém vinha nos visitar e queria tocar nela. Eu não falava o que sentia e ele ficava sem saber como me ajudar.

Aquele dia era pra ter se tornado uma boa lembrança, mas deixou marcas ruins. Hoje eu, meu marido e minha filha somos muito unidos, aos poucos eu comecei a me abrir com ele e pude ouvir o que ele sentiu. Nós dois sofremos muito por aquele dia, por ele ter ficado longe de nós duas, sem poder fazer nada, sem saber o que acontecia lá dentro. Ele esteve sempre presente durante a nossa gestação, nas consultas, exames e no dia mais importante ele foi excluído. Ele nem estava no hospital na hora da cirurgia. Ele estava tentando resolver tudo com o pessoal da recepção, pediram dinheiro, ele saiu, veio em casa buscar as nossas coisas, quando voltou foi avisado que o parto já tinha sido feito e que eu estava sendo costurada. Não consigo nem imaginar como ele se sentiu naquele dia, ele só diz que nunca se sentiu tão fraco, anulado e impotente :(

Aquele dia, era um domingo, dia 12.08.12, era o Dia dos Pais, o primeiro dia dos pais da nossa família. Ainda vai levar algum tempo até eu me curar completamente, não sei quanto tempo ao certo... Mas sei que essa experiência me tornou mais forte, me fez enxergar a maternidade com outros olhos. Eu deixei aquela ingenuidade de menina de lado e vi que as coisas não são tão simples como eu pensava, vi também que nem todo mundo tem empatia suficiente pra compreender a dor por um parto que não saiu como foi planejado/desejado.

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe, uma família. E o acolhimento que a mãe e o bebê recebem nesse momento faz toda a diferença, deixa a família marcada pra sempre, pode ser motivo de alegria ou sofrimento. Por tudo que eu ouvi, vi e senti naquele dia eu não consigo me contentar só porque no fim "deu tudo certo." Nenhuma família deveria ser desrespeitada desse jeito.

Quantas famílias sofrem ou já sofreram por causa de violência obstétrica? Até quando isso vai continuar?? "

Não canso de repetir: Mulheres, NÃO CALEM-SE! Questione, lute pelo direito de parir de modo saudável, pesquisem, façam o que for preciso para ter o merecido respeito!
DIGAM NÃO À VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, DENUNCIEM!


Saiba como AQUI.

Obrigada, Gabriela, por dar-nos seu depoimento. Parabéns,parabéns e parabéns pela garra e coragem!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Copo ao invés de mamadeira.





O uso da mamadeira é pior método de alimentação de lactentes não só por razões de riscos, mas também por gerar distorções no funcionamento da musculatura do rosto da criança e provocar possíveis alterações ortodônticas.
Essa é uma conclusão de pesquisa realizada pela fonoaudióloga Cristiane Faccio Gomes e que foi objeto de sua tese de doutorado no Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Unesp/Botucatu.
A investigação revelou que, na impossibilidade do aleitamento materno, a melhor solução para fornecimento de alimento ao lactente é a utilização do copo. O recomendável – diz a pesquisadora – é sempre o aleitamento exclusivo no peito por 6 meses, continuado até 2 anos ou mais, com o uso do copo sempre que necessário, ou seja, quando a mãe estiver trabalhando ou quando se ausentar por período superior ao da alimentação da criança. Aos seis meses – acrescenta Cristiane – a criança já pode utilizar o copo para ingerir água e sucos, não necessitando, em nenhum circunstância, do uso da mamadeira.
Segundo a fonoaudióloga, o seu trabalho revelou que, além dos benefícios já conhecidos e divulgados mundialmente, tornam-se claras as vantagens do aleitamento materno para o crescimento das estruturas e desenvolvimento das funções do Sistema Estomatognático e que favorecem o crescimento facial, a criação de espaços adequados para a erupção dentária, a respiração nasal, a deglutição adequada e a preparação para as funções de mastigação e fala.
Nesse quadro– diz a pesquisadora – as relações dos métodos de aleitamento com a fonoaudiologia tornam-se óbvias: todo o trabalho realizado naquela fase da vida da criança atua como fator de prevenção a diversos agravos: alterações musculares, dificuldades de fala no que se refere a embaraços na articulação de sons por diminuição do tônus muscular, deglutição atípica, Síndrome do Respirador Bucal e suas conseqüências na aprendizagem, otites de repetição que podem provocar perda auditiva irreversível, e alterações ortodônticas com repercussões na mastigação, fonação, vedamento labial e outras.
As funções musculares.
Na realidade, cerca de vinte músculos atuam durante a ordenha do leite materno. Entretanto, está comprovado, por meio de diversas pesquisas, que os músculos masseter, temporal, digástrico, supra e infra-hióides, pterigoideos laterais e mediais são os mais ativos, exatamente porque são responsáveis pela movimentação da mandíbula (abaixamento, protrusão, elevação e retrusão) estimulando o crescimento facial de maneira adequada. Outros músculos, como é o caso do bucinador atuam, também, porém de forma menos intensa, ao contrário do que ocorre no aleitamento por mamadeira.
No uso da mamadeira, então, e ao contrário do que seria esperado, os masseteres e temporais apresentam atividade diminuída e os bucinadores revelam ações mais intensas. Isso porque o lactente alimentado por mamadeira realiza sucção por pressão negativa, ao contrário do aleitamento materno no qual ocorre a ordenha por pressão positiva em maior escala e, apenas, alguma pressão negativa. Por esse motivo, o lactente, na mamadeira, pode desenvolver basicamente dois tipos de sucção: a sucção que favorece o aumento da atividade dos bucinadores, gerando uma pressão sobre os maxilares e resultando em alterações ortodônticas e palatinas, com possíveis consequências respiratórias. Por outro lado, o outro tipo de sucção favorece a atividade aumentada da língua. Por isso algumas crianças que sugam mamadeira apresentam alterações ortodônticas e outras não.
Os riscos e o uso do copo.
A cultura popular dita que a alimentação por copo é mais difícil, favorece mais chances de engasgos e as mães referem medo de oferecer leite por copo. Na realidade, vários autores já demonstraram que o uso da mamadeira é mais arriscado ao bebê por alguns motivos: aumento do furo do bico para que o leite apresente uma saída mais rápida, bem como o fato de muitos bebês mamarem deitados e com as mamadeiras escoradas. O aumento do furo da mamadeira impede que o bebê controle o fluxo de leite e possa parar para descansar ou respirar. As mamadas deitadas são muito perigosas, pois os engasgos e aspirações são mais fáceis de ocorrer, bem como a entrada de leite pela Tuba Auditiva das crianças (que é mais horizontalizada que no adulto), promovendo otites de repetição.
A forma mais segura de alimentar o bebê é o aleitamento materno e o uso do copo como método alternativo e temporário, pois para oferecer leite por copo, o adulto deve estar presente e prestar atenção na alimentação do lactente. Alguns autores já descreveram a técnica para que o bebê possa ingerir o leite e realizar pausas para respirar sem que haja volume de leite sendo derramado em sua cavidade oral. A adoção da técnica correta e a paciência são essenciais para o sucesso desse tipo de alimentação.
Aleitamento materno ainda é pequeno.
Existem dados de pesquisas de prevalência e incidência de aleitamento materno, e sabe-se que ele, apesar de ter aumentado nos últimos anos, ainda é muito baixo (60% no índice de aleitamento materno até seis meses, porém não de forma exclusiva e 13% em aleitamento materno exclusivo até o sexto mês – Brasil, 2002). O que se apurou, ainda, em pesquisas é que o uso de chupeta e mamadeira durante o aleitamento materno promovem o desmame precoce, ou seja, o lactente tende a rejeitar o seio materno ao iniciar a sucção de tais bicos, pois a movimentação muscular muda completamente e os bebês acabam preferindo a mamadeira pela facilidade.
No caso do copo, não há pesquisas com uso de métodos objetivos, pois seu uso é relativamente recente e geralmente utilizado apenas nos hospitais que recebem do Ministério da Saúde, o Certificado de Amigos da Criança, pois nesses hospitais é proibido o uso de chupetas e mamadeiras. Acredito que muitas pesquisas possam ser desenvolvidas nessa área.
A pesquisa.
A investigação realizada pela fonoaudióloga Cristiane Faccio Gomes é inédita no que se refere, principalmente, à análise da participação muscular no aleitamento por copo. Ela teve como orientadora, a professora Ercília Maria Caroni Trezza, docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Unesp/Botucatu. O estudo teve a participação de 60 lactentes, nascidos a termo e sem intercorrências, entre dois e três meses de idade, e que foram divididos em três grupos: 20 com aleitamento materno exclusivo; 20 com aleitamento misto e uso da mamadeira; e 20 com aleitamento exclusivo com uso de copo.


Fonte: Jornal Entrelinhas de Botucatu

Vi no Vila Mamífera e estou dividindo com vocês.